terça-feira, 29 de setembro de 2020

O papel dos diversos atores da escola na implementação e utilização do Ensino Híbrido e Metodologias Ativas

 


Disponível em: https://docplayer.com.br/110769277-Ensino-hibrido-proposta-de-formacao-de-professores-para-uso-integrado-das-tecnologias-digitais-nas-acoes-de-ensino-e-aprendizagem.html. Acesso em 21 Set 2020.

 A conversa anterior abordou o conceito de STEAM e hoje a conversa será sobre o papel dos atores envolvidos no Ensino Híbrido e Metodologias Ativas com um formato de fechamento das 8 conversas anteriores sobre os temas.

Não quer ficar de fora e perder nenhuma dessas conversas? Basta nos seguir no blog ou no Facebook.

 Em oito conversas que aconteceram no período entre a segunda quinzena de julho/2020 e a segunda quinzena de setembro/2020 falamos sobre Ensino Híbrido, Metodologia Ativa e as metodologias ativas mais utilizadas no Brasil.

Falamos de conceitos, desafios, possibilidades, aplicação, exemplos, vantagens, desvantagens, investimentos em estrutura física, recursos tecnológicos e em formação pedagógica e indicamos literatura para aprofundamento.


Em todas as conversas, vimos que aluno e professor devem ter uma postura, um papel diferente do que têm no ensino convencional. Mas qual é esse papel? E também qual é o papel que gestor e família devem exercer nesse novo cenário? É isso que veremos a partir de agora.

 O papel do aluno

Segundo Valente (2015) o aluno é responsável pela sua aprendizagem uma vez que “assume uma postura mais participativa, resolvendo problemas, desenvolvendo projetos e, com isso, criando a oportunidade para a construção de seu conhecimento”.

Assim, espera-se que o aluno seja o protagonista do processo de aprendizagem e não mais um simples receptor das informações transmitidas pelo professor. Ele deve ser atuante e engajado em todo o processo discutindo, colaborando, pesquisando, propondo soluções, sendo crítico, ético, autônomo, comunicativo e produtor do saber.

De acordo com a metodologia adotada pelo professor, o aluno deve:

  • ·         Fazer as atividades, planejar seus estudos e responsabilizar por sua parte nos trabalhos em grupo;
  • ·         Buscar informações e realizar estudos individuais e em grupo;
  • ·         Ouvir, respeitar os colegas e professores e posicionar-se, quando preciso, de forma ética e educada;
  • ·         Estudar previamente através dos materiais preparados pelo professor e buscar outros adicionais;
  • ·         Criar e/ou elaborar produtos e propor soluções aos problemas apresentados;
  • ·         Cumprir todas as etapas dos estudos e participar das aulas presenciais ou não;
  • ·         Ter em mãos os recursos e materiais solicitados mantendo-os organizados.

Agindo assim, o aluno estará contribuindo de forma efetiva para sua formação de cidadão ético, consciente e crítico apto a enfrentar os desafios que a vida lhe oferece.

 O papel da família

A família desempenha um papel essencial no desenvolvimento humano e na parte escolar ela é tão importante quanto a escola. Com a presença da família, o aluno sente-se incentivado e apoiado principalmente nos momentos mais difíceis, sendo o diálogo a base para essa relação, sempre.

O papel da família vai além de prover recursos materiais para o aluno estudar: ela deve estimular, incentivar, motivar, valorizar, dialogar, prestigiar, corrigir e orientar.

Infelizmente algumas famílias entendem que autonomia é deixar o aluno seguir sua trajetória sozinho e que incentivo é cobrança. O aluno precisa sentir a presença da família em seu percurso escolar e essa presença tem que ser além do “como foi a aula hoje?”. Como isso é possível?

Além do acompanhamento que já fazia, nesse momento de mudança é importante que a família busque:

  • ·         Comparecer em reunião, apresentações e eventos na escola;
  • ·         Conhecer a proposta pedagógica da escola assim como as metodologias e recursos adotados;
  • ·         Acompanhar a execução das atividades escolares e quando necessário auxiliar nas dificuldades;
  • ·         Ajudar na rotina de estudos, acompanhando, intervindo e orientando sempre que necessário;
  • ·         Em caso de dúvidas ou divergências procurar a escola para esclarecimento e resoluções de conflitos.

Dessa forma, a família contribui para que os alunos sejam mais participativos, autônomos, dedicados e responsáveis pela sua caminhada escolar. A participação familiar resulta em um desenvolvimento e aproveitamento melhor do aluno, sendo fundamental para o crescimento dos alunos.

 

O papel do gestor escolar

A adoção do Ensino Híbrido e das Metodologias Ativas por qualquer escola não é tarefa fácil pois exigem uma série de mudanças físicas, pedagógicas, grandes investimentos e é claro uma mudança de mentalidade.

Como já falado nas conversas anteriores, os investimentos devem ser feitos na formação da equipe pedagógica, na aquisição e manutenção de recursos digitais, criação, manutenção e/ou ampliação de espaços físicos adequados. Gerir esses processos e mudanças é um dos papeis para o gestor administrativo da escola.

O gestor administrativo ou mais comumente conhecido como diretor tem um papel importante e desafiador pela frente. Entre esses desafios destacam-se:

  • ·         Articular as áreas administrativa e pedagógica;
  • ·         Investir em tecnologia seja na aquisição de novos equipamentos e espaços seja na manutenção dos já existentes;
  • ·         Promover a integração da comunidade escolar (Administrativo, coordenação, professores, alunos e família) e engajamento da mesma nas atividades escolares;
  • ·         Investir na formação profissional da equipe pedagógica para adoção das metodologias ativas e utilização de recursos tecnológicos.

Nesse cenário de grandes mudanças, cabe ao gestor a condução de todo o processo envolvendo os diversos segmentos nos trabalhos da escola através de uma gestão democrática, participativa e colaborativa. Deve motivar, incentivar e coordenar o papel de todos: coordenação e professores nas questões pedagógicas, família nas questões de responsabilidade, acompanhamento e participação na vida escolar dos filhos, e alunos nas questões do seu papel como principal responsável pela sua aprendizagem.

 O papel do coordenador pedagógico

O coordenador pedagógico é o responsável pela integração de todos os atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, direta e indiretamente. É o elo entre direção, educadores, alunos e famílias.

Ele terá o importante papel de adequar o Projeto Político Pedagógico da escola para que o mesmo esteja em consonância com o Ensino Híbrido, as Metodologias Ativas e o uso das TDIC’s. Deverá também:

·         Promover práticas inovadoras e incentivar a adoção das mesmas;

  • ·         Auxiliar e orientar professores na escolha de metodologias, recursos e materiais que potencialize o processo de ensino-aprendizagem;
  • ·         Dar suporte aos professores, alunos e familiares principalmente durante o processo de adoção e implantação de novas metodologias e recursos;
  • ·         Coordenar a implantação e implementação de processos avaliativos que se adequem ao uso de Metodologias Ativas e TDIC’s.

 

O papel do professor

Apesar das Metodologias Ativas colocarem o aluno no centro do processo de aprendizagem como ator principal, todos os outros atores são importantes. O professor tem um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem pois ele será o responsável pela condução de todo o processo.

O professor será o responsável pelo planejamento e organização das atividades assim como escolher as ferramentas/recursos e metodologias mais adequados para atingir seus objetivos e que estimulem os alunos. Também deverá elaborar/criar um sistema avaliativo condizente com a metodologia e recursos adotados.

E tudo isso diferente da forma que fazia na escola convencional, pois nela ele era o centro e mero transmissor do conhecimento. Agora, seu papel é o de mediador do conhecimento.

De modo geral, o professor deverá:

  • ·         Articular o currículo, a metodologia e a ferramenta escolhidas,
  • ·         Facilitar e mediar o conhecimento a ser construído,
  • ·         Orientar durante todo o processo de aprendizagem dos alunos;
  • ·         Mediar as discussões e debates realizados pelos alunos,
  • ·         Elaborar atividades, trilhas de aprendizagem e sequências didáticas;
  • ·         Elaborar casos ou escolher casos de terceiros e adaptá-los ao perfil da turma e do projeto da escola
  • ·         Definir e escolher material de estudos dirigidos aos alunos;
  • ·         Estimular e incentivar a participação de todos os alunos nas atividades propostas;
  • ·         Escolher as tecnologias, ferramentas, recursos, materiais e ambientes que favoreçam o processo de aprendizagem;
  • ·         Acompanhar todos os alunos dando feedback e auxiliando mais de perto aqueles que têm mais dificuldades;
  • ·         Avaliar de forma contínua e sistemática nas várias etapas do processo com recursos e tecnologias adequados à metodologia adotada.

 

Considerações Finais

Aluno, família, direção, coordenação pedagógica e professor fazem parte do processo de educar e desempenham cada um o seu papel nesse processo, sendo que suas ações determinarão o sucesso ou não das metodologias adotadas pela escola.

Porém os dois atores principais do Ensino Híbrido e das Metodologia Ativas são o aluno e o professor. O aluno é o ator protagonista do processo de aprendizagem e o professor o protagonista do processo de ensino e aprendizagem.

As escolas que forem implementar o Ensino Híbrido e as Metodologias Ativas devem ficar atentas para que os mesmos não caiam na banalização, uma modinha passageira e sejam adotados como mera transmissão de conhecimento via Online. Não dá para improvisar ou adaptar adotando somente algumas partes.

Terão que investir em equipamentos e espaços físicos como rede de computadores, rede Wi-fi, laboratórios e espaços físicos para pesquisa e convivência, midiateca, entre outros.

Porém o maior investimento que podem fazer é na formação dos professores e da equipe pedagógica, pois é necessária uma mudança de paradigma em relação ao currículo, ferramentas digitais, metodologias, sistemas avaliativos, espaços físicos.

Sem investimento na formação dos professores, teremos uma improvisação, a famosa gambiarra, pois sem o comprometimento da equipe pedagógica, metodologias, equipamentos, espaços físicos e recursos tecnológicos não farão nada sozinhos.

 



 

Para saber mais

https://horario.com.br/blog/protagonismo-do-aluno-beneficios/

https://cieb.net.br/ensino-hibrido/?fbclid=IwAR3awtwOY3PVhmVMwX9eMhJnxT44V0sblzoFVcTnrapgKkvbI7X4GDNMEJU

https://educacao.estadao.com.br/blogs/blog-dos-colegios-bis/o_papel_dos_pais_no_ensino_filhos/

http://blog.academia.com.br/educacao-integral/

https://sae.digital/papel-do-gestor-escolar/

https://blog.lyceum.com.br/papel-do-professor-nas-metodologias-ativas/

https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/ponto-de-partida/ensino-hibrido-e-desafio-da-volta-as-aulas-272204/

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

STEAM

 


Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao-360-discute-novo-metodo-de-ensino-23279577. Acesso em 14 Set 2020.

 

A conversa anterior abordou o conceito de Rotação de Aprendizagem e Sala de Aula Invertida. A conversa de hoje será sobre STEAM.

Não quer ficar de fora e perder nenhuma dessas conversas? Basta nos seguir no blog ou no Facebook.

 

STEAM

O termo STEAM é um acrônimo em inglês para Science, Technology, Enginnering, Arts e Mathematics (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática). O STEAM divide a opinião de especialistas: alguns o consideram uma metodologia enquanto o consideraram uma abordagem. A diferença?

Segundo eles, a abordagem é uma “maneira de pensar”, enquanto metodologia passa uma ideia de passos ou fórmulas a serem seguidos e que são aplicados do mesmo modo em qualquer situação.

Divergências à parte, o STEAM considera essas áreas do conhecimento como base para desenvolver projetos de uma forma mais integrada e que têm como objetivos formar pessoas com diversos conhecimentos e habilidades, preparando-as para encarar os desafios do futuro, principalmente do mercado de trabalho.

Nos projetos os alunos são desafiados a investigar, solucionar problemas, construir protótipos, entre outros. Todas as ações e atividades são orientadas pelo conhecimento científico, pensamento crítico e ética e são desenvolvidas de maneira coletiva e colaborativa.



O STEAM surgiu STEM (sem o “A” pois a Arte não estava incluída) nos anos 1990 quando os Estados Unidos notaram que em algumas carreiras faltavam profissionais qualificados na área de exata. O principal objetivo seria desenvolver as chamadas competências e habilidades essenciais aos cidadãos do Século XXI. A Arte foi incluída mais recentemente e podemos dizer que ela significou um upgrade no STEM.

A inclusão da Arte no STEM amplia a multidisciplinaridade e incorpora um pensamento criativo. A ideia relacionada a Arte é mais que estudar a história da Arte ou aprender técnicas artísticas. Arte é um campo do conhecimento ligado à linguagem, cultura, cinema, teatro, pintura, fotografia, literatura, design e arquitetura e que contribui para formação plena do ser humano.

A diferença entre as duas metodologias é mais que somente uma letra e muito importante: o STEM aborda “o como fazemos as coisas” e o STEAM aborda “o descobrir o porquê estamos fazendo as coisas.

Disponível em: http://ricardosdelima.com.br/site/2018/12/13/steam-x-stem/. Acesso em 14 Set 2020.

 

O STEAM tem cinco etapas:

1 – Investigação: É a parte em que um problema a ser resolvido ou uma pergunta a ser respondida é proposto (a). Através da investigação, os alunos definem como a questão norteadora se relaciona com as áreas de conhecimento e qual a contribuição delas para solucionar o problema/responder à pergunta;

2 – Descoberta: Nessa etapa os alunos propõem soluções/respondem à pergunta. Também validarão as mesmas indicando os prós e os contras de cada um, lapidando as propostas;

3 – Conexão: Uma vez que as propostas de soluções/respostas foram validadas elas são conectadas com as áreas de conhecimento. Para isso os alunos usam as habilidades e conhecimentos aprendidos nas etapas anteriores de forma colabora e coletivamente;

4 – Criação: Agora é a hora da solução/resposta ganhar corpo, se concretizando. As soluções são aplicadas e apresentadas para toda a turma. Se surgirem dúvidas as mesmas são esclarecidas;

5 – Reflexão: Caso na etapa anterior tenha surgido uma nova perspectiva para a solução apresentada, ou necessário resolver algum problema é nessa etapa que isso é feito em forma de reflexão. Assim, todo o trabalho ou parte dele é revisado e reavaliado, se necessário. Do contrário, o ciclo se fecha.

O STEAM tem vários benefícios/vantagens entre eles destacam-se a integração entre as áreas de conhecimento, o trabalho em equipe, o aprendizado criativo e desafiador, a interação com as tecnologias. Além desses, a metodologia pode ser adotada em todas as etapas de escolarização (da educação infantil ao ensino médio).

Em contrapartida, os desafios da adoção da metodologia são uma proposta curricular baseada em tema ou competências e habilidades e não em disciplinas, estrutura física e recursos tecnológicos adequados e investimento na formação de toda a equipe pedagógica.



 

A metodologia no EUA e no Brasil

Como vimos anteriormente, o STEM surgiu nos Estados Unidos. A figura a seguir mostra o que está por trás da sua origem.

Disponível em: https://porvir.org/stem-o-movimento-as-criticas-e-o-que-esta-em-jogo/. Acesso em 14 Set 2020.

Gustavo Pugliesse, no site Porvir, relaciona a origem do STEM a dois fatores: (1) o colapso econômico e empregatício no início dos anos 2000 que afetaria a liderança econômica americana e (2) o baixo desempenho dos alunos norte-americanos em exames internacionais como o PISA.

Assim, o chamado STEM Education passou a ser prioridade do governo americano gerando uma série de mudanças educativas no país. Tornou-se então uma política educacional sistematizada recebendo bilhões de dólares na construção de escolas específicas de STEM e criação de programas de formação de professores.

Aqui no Brasil, o movimento STEM/STEAM não tem nem de perto o porte do programa americano. Aqui, a metodologia tem se disseminado através de escolas bilíngue, cursos abertos e franquias com temáticas diversas (ensino maker, robótica, games e escolas de programação).

É preciso que os gestores brasileiros entendam o que é a metodologia STEAM, qual seu significado, suas possibilidades e potencialidades para poder adotá-la da forma correta e não de maneira isolada ou como solução de todos os problemas educacionais. Do contrário, corre-se o risco aplica-la de maneira equivocada criando mais problemas que soluções.

Para saber mais:

 https://tecnologia.educacional.com.br/blog-inovacao-e-tendencias/steam-metodologia-que-precisa-conhecer/

https://novaescola.org.br/conteudo/18021/como-levar-o-steam-para-a-sala-de-aula

https://tecnologia.educacional.com.br/blog-robotica-e-stem/o-que-e-stem/

https://www.ctrlplay.com.br/o-que-e-steam-conheca-essa-metodologia-de-ensino-revolucionaria/

https://porvir.org/stem-o-movimento-as-criticas-e-o-que-esta-em-jogo/

https://fuzzymakers.com/metodologia-steam/

https://educatrix.moderna.com.br/a-hora-e-a-vez-do-steam-na-sala-de-aula/

 

 

Sugestão de Livros: