Disponível em: https://cieb.net.br/que-tal-planejar-uma-aula-em-rotacao-por-estacoes-de-aprendizagem/. Acesso em 07 Set 2020.
A conversa anterior abordou o conceito de Peer Instruction e Robótica. A conversa de hoje será sobre Rotação de Aprendizagem e Sala de Aula Invertida.
Não quer ficar de fora e perder nenhuma dessas conversas? Basta nos seguir no blog ou no Facebook.
Rotação de Aprendizagem
A Rotação de Aprendizagem, também chamada de Rotação por Estação de Aprendizagem ou ainda Circuito de Aprendizagem, é uma Metodologia Ativa que tem origem no Ensino Híbrido. Nela os alunos são separados em grupos (pode ter estação com atividade individual) e cada grupo realiza uma atividade sobre o tema/conteúdo tratado.
As atividades propostas devem ser elaboradas utilizando diversos recursos e ter formatos variáveis como leitura e produção de material (texto, gráfico, tabela, mapa mental, infográfico, linha de tempo, história em quadrinho, vídeo, podcast, etc), resolução de problemas e questões online (em plataforma virtual) ou não, exercícios de fixação, aprofundamento, etc.
As estações devem variar momentos em que os alunos estejam sozinhos, em duplas ou grupos de no máximo 5 alunos. Também podem contar com a orientação do professor em uma ou mais delas. Também é importante que o professor garanta que os alunos com mais dificuldades tenham um acompanhamento mais próximo.
A estadia em cada estação deve ter tempo definido previamente de forma que no período determinado (por exemplo 4 aulas) todos os grupos tenham passado por todas as estações. A rotatividade pode acontecer também dentro de uma única aula como por exemplo 3 estações de 15 minutos. Nesse caso, as rotações devem ser muito bem organizadas devido ao tempo que os grupos gastam para mudar de estação.
Cada estação é roteirizada pelo professor sendo que as atividades não podem ser sequenciais. As estações são independentes, porém integradas de forma que ao percorrer todo o circuito o aluno tenho visto todo o conteúdo através de vários recursos que privilegiam as diferentes formas de aprendizagem.
A quantidade de estações deve ser definida levando em conta a quantidade de alunos na turma, a extensão e profundidade do tema abordado, os recursos e espaços disponíveis. Um maior número de estações significa um número menor de alunos em cada grupo.
A chance de ocorrer problemas nas primeiras aulas é alta como por exemplo alunos inquietos, um ou outro recurso tecnológico que não funciona (apesar de testado antes), conversas em excesso, demora e confusão no momento de trocar de estação, dificuldade do professor para acompanhar os grupos na execução das atividades, entre outros.
Porém, com o passar do tempo, tudo vai se ajustando de modo que professores e alunos se adaptam à rotina. Quando isso acontecer, os resultados surgirão naturalmente como por exemplo desenvolvimento da autonomia do aluno, alunos estimulados de maneira diferentes, aumento da socialização entre grupos na sala, participação ativa dos alunos e maior envolvimento nas aulas.
Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/3352/blog-aula-diferente-rotacao-estacoes-de-aprendizagem. Acesso em 07 Set 2020.
Sala de Aula Invertida
A dinâmica na escola convencional é basicamente a mesma: durante a aula o professor passa a matéria no quadro, os alunos copiam e depois o professor explica a matéria e tira as primeiras dúvidas que surgem, marca alguns exercícios para serem feitos em casa e na aula seguinte tira dúvidas do para casa, corrige no quadro alguns exercícios e marcas mais alguns.
E se essa lógica fosse invertida? Isso mesmo, você leu corretamente: inverter a dinâmica da aula tradicional é a ideia central da metodologia chamada de Sala de Aula Invertida (do inglês Flipped Classroom). E de onde surgiu essa ideia?
Eric Mazur e Gregor Novak respectivamente nos livros “ Peer instruction: user’s manual” e “Just-in-time teaching” desenvolveram o conceito de que o aluno deveria estudar primeiro em casa, chegando na aula estudado. Assim, potencializaria seu aprendizado. Porém foi somente a partir dos anos 2000, com o avanço das TDIC’s, a popularização da internet e o trabalho de J. Wesley Baker (“Flipped classroom”) é que o conceito ganhou corpo.
Nessa metodologia, o aluno estuda em casa a matéria definida pelo professor e já chega na sala de aula com um determinado conhecimento da matéria. Durante a aula a matéria é discutida com colegas e professor de forma que há uma complementação e aprofundamento da matéria.
Em casa esse primeiro contato com o conteúdo pode ser feito através de vídeo, podcast, games, textos, reportagens, tabelas, gráficos, infográficos, linha do tempo, quadrinhos, fóruns ou sites de pesquisas. O material que o aluno acessa/recebe é elaborado/preparado pelo próprio professor ou selecionado de terceiros e disponibilizado através de plataformas de compartilhamento (Google Drive, One Drive, Dropbox, etc), Google Classroom, redes sociais, entre outros.
As vantagens dessa metodologia são a otimização do tempo de aula, a utilização de diversos tipos de materiais e proporcionar autonomia ao aluno na busca e aquisição do conhecimento.
Infelizmente nem tudo na vida são flores e na escola não é diferente: o principal problema dessa metodologia é exatamente o aluno não cumprir a parte dele em casa. E essa é atualmente uma das maiores reclamações dos professores: alunos que não fazem em casa as atividades propostas.
Outro problema é que o professor tem um papel que vai além do mero distribuidor de material: ele é responsável por selecionar material adequado e confiável que estimule a participação e interação do aluno e também acompanhar todos os alunos no processo de aprendizagem mediando o conhecimento.
Considerações Finais
Alguns especialistas têm visto com certo receio chamar a Rotação de Aprendizagem e a Sala de Aula Invertida de Metodologias Ativa devido ao fato de professores utilizarem os mesmos recursos que utilizam em suas aulas tradicionais, ou seja, adotam materiais que não levam em consideração o protagonismo e nem o desenvolvimento da autonomia do aluno.
Apesar dessas metodologias considerarem o aluno como responsável pelo seu próprio aprendizado, o professor tem papel fundamental nesse processo. Antes detentor do conhecimento, agora ele é o mediador entre conhecimento e alunos, facilitando, incentivando essas interações e ajudando sempre que houver dificuldades.
Então, um grande desafio das escolas, sejam públicas ou privadas, de ensino básico, técnico ou superior, é investir na formação de toda a equipe pedagógica para aprenderem o potencial de cada metodologia e as explorarem ao máximo nas salas de aula. E é claro o investimento em recursos tecnológicos instrumentalizando os professores.
Para saber mais:
A Entrevista com o autor Jonathan Bergmann está imperdível: Jon Bergmann e a sala de aula invertida.
https://silabe.com.br/blog/rotacao-por-estacoes/
https://educacaocientifica.com/educacao/metodologias-ativas-parte-ix-rotacao-por-estacoes/
https://andragogiabrasil.com.br/rotacoes-por-estacoes-de-aprendizagem/
https://cieb.net.br/que-tal-planejar-uma-aula-em-rotacao-por-estacoes-de-aprendizagem/
https://novaescola.org.br/conteudo/3352/blog-aula-diferente-rotacao-estacoes-de-aprendizagem
https://silabe.com.br/blog/sala-de-aula-invertida-o-que-e-exemplo-e-como-por-em-pratica/
https://sambatech.com/blog/insights/sala-de-aula-invertida/
https://diarioescola.com.br/sala-de-aula-invertida/
https://www.edools.com/sala-de-aula-invertida/
https://sae.digital/sala-de-aula-invertida/
https://escoladainteligencia.com.br/voce-sabe-o-que-e-a-sala-de-aula-invertida/
Sugestão de Livros:








Fábio, trabalhei com rotação de aprendizagem na educação infantil. Tinha o nome de grupos diversificados. Em cada mesa uma proposta. No início um caos, depois as crianças entendiam a dinâmica. Adoro trabalhar assim. Elegia um dia na semana pra realizar esta atividade. Um abraço. Karinn
ResponderExcluirOlá Karinn, tudo bem? Obrigado por ler minha conversa e também por comentar. É realmente um pouco difícil no início pois é uma situação que nós professores e para os alunos. Mas como disse no texto, com o passar do tempo vamos todos nos acostumando e os trabalhos vão fluindo naturalmente. Uma das vantagens que acho muito boa nessa metodologia é que ela é aplicável a qualquer nível de ensino. Espero que esteja gostando das conversas e que continuando lendo. Caso tenha alguma crítica ou sugestão pode fazê-las pelo email matematicanapontadolapis2020@gmail.com
Excluirum grande abraço.