quinta-feira, 28 de maio de 2020

Google Classroom: Uma excelente opção para sala de aula virtual



https://pixabay.com/pt/illustrations/v%C3%ADdeo-confer%C3%AAncia-on-line-5167472/

A pandemia de Covid-19 mudou para sempre o mundo e todas as atividades, inclusive as educacionais. Com a impossibilidade dos estudantes poderem frequentar as aulas presenciais e após o MEC liberar as aulas de forma remota, um dos principais recursos tecnológicos usadas por empresas mundo afora passou a fazer parte de dia a dia de milhões de estudantes, de suas famílias, professores e escolas: a videoconferência.

Este recurso, quase sexagenário, foi apresentado numa feira mundial de tecnologia em Nova Iorque pela empresa AT&T com o sugestivo nome de Picturephone. O princípio do funcionamento era utilizar a estrutura da telefonia para fazer chamadas em vídeo.



Picturephone, o aparelho pioneiro das chamadas de vídeo (Crédito: ALT1040)


Estandes da AT&T na Feira Mundial de 64 (Crédito: Engadget)

Neste momento a videoconferência tem sido uma importante ferramenta para conectar professores e alunos uma vez que é possível se verem e ouvirem em tempo real ou em outro momento já que ela pode ser gravada e disponibilizada em diversos canais para que possa ser assistida posteriormente. Mas ela não resolve o problema de enviar e receber uma atividade, um arquivo de vídeo ou áudio, um link, entre tantas outras possibilidades. Então como resolver este problema? A solução para este problema é utilizar uma plataforma robusta que atende toda a escola de uma vez ou uma sala virtual que pode ser usada individualmente pelos professores.

 

Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA

O ambiente Virtual de Aprendizagem, cuja sigla é AVA, é um software ou sistema de gestão e distribuição de um conteúdo de ensino a distância. Entretanto, para se configurar de fato um AVA, esta plataforma de ensino precisa de ferramentas que promovam a interação dos alunos entre si e também com os seus tutores ou professores. Um dos principais desafios da EaD é a disciplina dos alunos. A vantagem de poder acessar os conteúdos a qualquer tempo e em qualquer lugar, estudando onde quiser pode se tornar uma desvantagem neste caso.

O AVA é importante para ajudar o aluno a focar em suas tarefas, fazendo com que ele cumpra os seus objetivos. Não basta apenas assistir as vídeo aulas e estar de corpo presente com as transmissões ao vivo. Todo e qualquer tipo de aprendizado necessita de estudo e dedicação.

A principal função do AVA é simular uma sala de aula. O processo de aprendizagem necessita da troca de informação para ser completo. Este é o desafio no ensino a distância e a função do ambiente virtual de aprendizagem.

Um AVA pode ter várias funcionalidades diferentes. Listamos abaixo as que são mais comuns nestas plataformas:

  • Distribuição de conteúdo – É dentro desta plataforma que as vídeo aulas e atividades estarão disponíveis para os seus alunos;
  • Gestão de alunos – Em uma plataforma com AVA é possível fazer a gestão dos seus alunos. Desde chamada para confirmação de presença até o desempenho individual dos alunos, possibilitando aos seus tutores a personalização do ensino;
  • Fórum para debate de ideias – No fórum é possível fazer com que os alunos reúnam o conhecimento individual em um só lugar, construindo assim o conhecimento coletivo;
  • Interação com o tutor/professor – Através do AVA também é possível realizar transmissões ao vivo. Eles permitem, através do chat a interação de duas vias, pois o aluno pode levantar as suas dúvidas para o tutor através do chat, que será explicado para toda a turma pela transmissão. Existem algumas plataformas que também contam com um sistema interno de e-mail para trocas de informações entre aluno e professor;
  • Gamificação – Uma das maneiras de incentivar os alunos é a distribuição de badges. Estas pequenas recompensas dadas a cada habilidade conquistada visa à motivação dos alunos;
  •  Avaliação – Por fim, outra grande vantagem do AVA é a possibilidade de acompanhar todo o processo de aprendizagem do aluno, realizando avaliações online.
Como é possível notar a plataforma é uma estrutura completa porém complexa e com um alto custo de investimento, apesar de no mercado ter empresas que oferecem hospedagem para empresas, escolas e pessoas físicas.

Uma alternativa, adotada por muitas escolas e professores individualmente, é a sala de aula virtual. Mas o que é uma sala de aula virtual e quais suas ferramentas?

 

Sala de aula virtual

A sala de aula virtual é um espaço digital que permite a interação entre alunos e professores através das tecnologias digitais de informação e comunicação, as TDIC’s. A sala de aula virtual tem diversos recursos ou ferramentas para mediar a interação e o processo de ensino e aprendizagem. Porém diferentemente da AVA, todo o desenho, estrutura e alimentação de uma sala de aula tem que ser realizado pelo professor. Também muitos recursos na sala de aula virtual são limitados de forma que é preciso que o professor link com outros ambientes externos. Apesar de muitos acreditarem e afirmarem que sim, AVA e sala de aula virtual não são a mesma coisa: a sala de aula virtual pode ser um dos recursos da AVA e pode também ser usada separadamente.

A sala de aula virtual mais conhecida e utilizada é o Google Classroom ou simplesmente Google Sala de Aula.

 Google Classroom

O que torna o Classroom ser a mais utilizada e conhecida sala de aula virtual é o fato de ela ser gratuita, estável, ser usada em computadores, tablets e smartphones, ter várias funções, ser muito fácil de utilizar e ser compatível com diversos outros aplicativos e sites que complementas as funções que o Classroom não possui.

Criado em 2014, é voltado para escolas que fazem parte projeto Google Education e tem como principal objetivo facilitar a interação entre alunos e professores, gerenciando os conteúdos. Entre suas facilidades destacam – se a criação, distribuição e avaliação de trabalhos e testes.


(Google/Reprodução)

Utilizar o Classroom é muito fácil e intuitivo, sendo necessário somente ter uma conta de e-mail do Gmail, o que na minha opinião é a única dificuldade principalmente no caso dos alunos não terem conta de e-mail deste provedor. Mas isto é facilmente resolvido.

Funções do Google Classrrom

As principais funções do Google Classroom são:

  • Criar turmas – É possível criar várias turmas seja de ano escolar (educação básica) ou por disciplina (cursos livres, técnico ou superior). Há duas formas de incluir alunos: o professor envia convite através do e-mail individual de cada aluno ou disponibiliza o código gerado pelo Classroom para os alunos encontrarem a turma;
  • Comunicados – O Classroom tem uma aparência muito similar a uma rede social, de forma que é possível postar comunicados, links de textos, vídeos, áudios e também arquivos em diversos formatos para os alunos. Também é possível se comunicar com a turma toda de uma vez ou individualmente com cada aluno;
  • Organização de material – É possível organizar o material por pasta dividas por assuntos ou turmas, associando ao Google Drive que disponibiliza 15 Gb de espaço na nuvem. Para acessar bastar criar um link através do Drive e disponibilizá – lo;
  • Enviar e receber trabalhos – Esta função que permite ao professor enviar trabalhos e tarefas aos seus alunos. Caso seja um trabalho que o aluno precise fazer e entregar, esta entrega pode ser online, inclusive com data e horário para ser aceito;
  • Avaliação online – Esta função é uma excelente aplicação, principalmente neste momento que passamos. Assim como no caso de trabalhos, professor pode enviar avaliações nos mais diversos formatos (objetiva, discursiva, quizz) para os alunos com data e hora de prazo. Ainda é possível formatar as avaliações de forma que o aluno receba feedback individual e com nota após encerramento do prazo de entrega. As avaliações podem ser criadas pelo próprio professor através do Google Forms ou em site especializados em avaliação e disponibilizadas através de links.

 Considerações Finais

Sem dúvidas é inegável a palicação das TDIC’s na educação, principalmente neste momento tão sensível pelo qual estamos passando devido á pandemia de Covid-19. Porém faz-se necessário salientar que a tecnologia não é a solução revolucionária para os problemas educacionais, ao contrário ela é só mais um recurso, uma ferramenta potente que utilizada adequadamente trará excelentes resultados.

Para que isto ocorra é preciso que elabore atividades com objetivos claros, com metodologia e recursos adequados à características de aprendizagem da turma. (não basta enviar atividades como “faça os exercícios tal e tal da página tal”).

A sala de aula de aula virtual não possui atividades, de forma que o professor é o responsável pelo design, administração e alimentação da sua própria sala.

Também é preciso entender que a sala de aula virtual não substitui a sala de aula física e as interações inerentes a ela, mas poderá ser utilizada como extensão dela com recursos diferentes.

Como dito anteriormente, devido às características do Classroom diversas páginas, aplicativos e plataformas já oferecem interface compatível com o Classroom, de forma que é possível acessar as páginas sem sair do ambiente do Classroom. Desta forma o aluno não precisa cadastra – se em diversas páginas diferentes.

Quer usar o Google Classroom e não a menor noção de como fazer?

Os professores Eder Bento e Gustavo Rocha gentilmente cederam os Ebook elaborados por eles que ensinam, respectivamente, a utilizar o Google Forms para criar avaliações e como utilizar o Google Classroom bem como as suas principais funcionalidades.

 

Conheça mais sobre tecnologia digital e suas aplicações na educação através das redes sociais dos professores Eder Bento e Gustavo Rocha:

Eder Bento:

www.youtube.com/profederbento

www.instagram.com/profederbento

www.facebook.com/profederbento

https://bit.ly/profederbento-canal-telegram

Gustavo Rocha:

https://www.youtube.com/user/guvidalrocha/featured

 

Para saber mais

https://eadbox.com/o-que-e-ava/

https://meiobit.com/285223/bell-labs-picturephone-1964-o-pioneiro-na-chamada-de-video/

Para acessar o Google Classroom

https://classroom.google.com/

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.google.android.apps.classroom&hl=pt_BR

https://itunes.apple.com/br/app/google-classroom/id924620788?mt=8

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Calculadora e computador na sala de aula: Possibilidades e desafios

 

 

As calculadoras se popularizaram de tal maneira que é muito fácil encontrar uma em lojas especializadas, em papelarias, na internet, em quiosques de centro de compras populares. E para todos os gostos e uso: financeiras, estatísticas, científicas, aplicadas à engenharia, contábeis, simples e as de celular. É muito comum flagramos alguém utilizando um no supermercado, no banco, no barzinho ao dividir uma conta, calculando os juros ou descontos de um boleto ou simples elaborando o orçamento familiar. Porém já observou que a calculadora (e também o computador e outros recursos tecnológicos) está longe das salas de aulas? Mas por que? Antes de responder esta e outras perguntas, vejamos o que a legislação fala sobre o uso de calculadoras nas salas de aula.

O USO DE CALCULADORAS SEGUNDO OS PCN’s e A BNCC

A legislação brasileira é favorável ao uso deste recurso por parte dos estudantes e incentiva os professores a utilizar a calculadora e computadores no processo de ensino e aprendizagem, estando desta forma na vanguarda da educação matemática.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) já em 1997 validam e indicam o uso das calculadoras, pois “a calculadora é um instrumento que pode contribuir para a melhoria do ensino da Matemática. [...] ela pode ser usada como um instrumento motivador na realização de tarefas exploratórias e de investigação e é um recurso para verificação de resultados, correção de erros, podendo ser um valioso instrumento de autoavaliação”.

Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) elenca a compreensão, utilização e a criação de tecnologias digitais de informação e comunicação como uma das 10 Competências Gerais da Educação Básica. A BNCC propõe que “os estudantes utilizem tecnologias, como calculadoras e planilhas eletrônicas, desde os anos iniciais do Ensino Fundamental”, e destaca que “o uso de tecnologias possibilita aos estudantes alternativas de experiências variadas e facilitadoras de aprendizagens que reforçam a capacidade de raciocinar logicamente, formular e testar conjecturas, avaliar a validade de raciocínios e construir argumentações”.

E quais as possibilidades de uso para a calculadora?

 

Possibilidades de uso de calculadoras e computadores

Há uma infinidade de possibilidades para o uso de calculadoras na sala de aula dos diversos níveis da educação básica e superior, entre eles destaco:

1 – Na resolução de problemas em que a leitura, interpretação de texto, elaboração, definição e execução de estratégia de resolução seja o foco principal e o cálculo seja secundário;

2 – Definição de regularidades em diversos conteúdos e níveis como por exemplo multiplicação de números inteiros e decimais por 10, 100, 1 000, etc, potência de base 10, potências em geral e logaritmos;

3 – Verificar e conferir resultados em situações problemas;

4 – Efetuar cálculos em estatística e matemática financeira que em sua maioria são quase impossíveis de realizar à mão, o que faz com que estes conteúdos são ministrados de forma superficial ou deixados de lado,

Para o uso de computadores e outros recursos digitais, como por exemplo aplicativos, destaco:

1 – No estudo de funções para desenhar e analisar características importantes das diversas funções estudadas através da utilização de softwares como o Geogebra ou Winplot;

2 – No estudo da geometria para desenhar e analisar as características dos diversos entes geométricos sejam bi ou tridimensionais através de softwares como Geogebra, Poly, Wingeon;

3 – Elaboração de tabelas e gráficos com o auxílio de planilhas eletrônicas,

4 – Uso de planilhas eletrônicas como simuladores de diversas situações em estatística e matemática financeira.

É claro que existem outros usos além dos citados aqui, porém acredito que os exemplos dados acima são suficientes para demonstrar a potencialidade dos recursos tecnológico aplicados à educação.

Você deve estar se perguntando: se há tantas possibilidades para o uso destes recursos, por que fora das salas de aula?

 

Desafios do uso dos recursos tecnológicos.

De modo geral os recursos tecnológicos, tão presentes em nosso dia a dia, estão distantes das escolas, principalmente por falta de acesso (este será o tema de uma próxima conversa). Porém mesmo a escola, professores e alunos tendo acesso a estes recursos eles não são utilizados na maioria das escolas e nem pela maioria dos professores, sendo os 2 principais desafios a serem superados:

1 – Formação de professores

A formação de professores é o principal desafio a ser superado para que os recursos tecnológicos estejam presentes nas salas de aula, uma vez que muito deles não receberam nenhuma ou pouca formação para trabalhar com estes recursos. Segundo SELVA e BORBA, esta formação deve orientar o professor de forma que ele seja capaz usar a calculadora (e outros recursos), dominar os princípios, propriedades e relações possíveis do uso dos recursos da calculadora, que é o saber científico matemático, vivenciar, refletir, elaborar, organizar e reorganizar as atividades com os recursos tecnológicos em sala de aula, o chamado saber da experiência.

2 – Escola / Família não permitem uso

Apesar da uso de recursos tecnológicos serem sugeridos e referendados pelos legislação educacional brasileira, ainda é muito comum professores não os utilizarem devido a barreiras impostas pelas escolas e também familiares dos estudantes.

Com a justificativa de que a calculadoras e outros recursos impedem o desenvolvimento do raciocínio, de aprender a fazer cálculos, que o aluno deve saber a tabuada de cor e salteado, que “no meu tempo era necessário fazer as contas na unha”, que no vestibular, Enem e concursos não pode usar calculadora, então na escola também não. Desta forma, a calculadora e os computadores estão fora das salas de aulas.

Considerações finais

Os desafios a serem vencidos para que a calculadora, computador e demais recursos tecnológicos estejam presentes nas salas de aulas estão sendo gradualmente vencidos.

A academia, de uns anos para cá, está incorporando em sua grade disciplinas que tratam do uso dos recursos tecnológicos. Em várias disciplinas os professores lecionam utilizando e permitem que os alunos também utilizem estes recursos. Cursos de extensão são ministrados exclusivamente com o objetivo de formar os professores nesta perspectiva. Para os professores que não tiveram esta oportunidade na graduação, a formação continuada é um caminho, através de oficinas, minicursos ou cursos de atualização pedagógica.

Já as famílias precisam entender que o ensino no Brasil e no mundo sofreu diversas transformações e mudanças ao longo dos anos. Saímos de uma educação conteudista em que o foco era decorar e o aluno era mero coadjuvante, ser passivo do processo de aprendizagem para chegar ao um ensino baseado em competências e habilidades em que o aluno é o ator principal do processo. Naturalmente, o ensino de hoje não é o mesmo que muitos dos pais tiveram.

As escolas precisam entender que o seu papel não é somente preparar os alunos para as provas de vestibular e Enem: é de socializar o conhecimento formando um cidadão crítico e pleno do seu papel na sociedade em que vive, usando as mais diversas linguagens, fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir novos conhecimentos.

O que estamos observando, apesar de toda a tragédia causada pela pandemia de Covid-19, é que as escolas e professores estão tendo que se adaptar à nova situação das aulas remotas. Esperamos que a calculadora, o computador e também o celular esteja na pauta para serem inseridos nas aulas presenciais quando elas forem possível, uma vez que eles proporcionam diversas possibilidades de uso que agregam valor para o processo de ensino e aprendizagem.

Referências

Base Nacional Comum Curricular. Secretaria de Educação Básica. Conselho Nacional de Educação. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/12/BNCC_19dez2018_site.pdf.

Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática 3º e 4º ciclos. - Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/matematica.pdf

SELVA, Ana Coelho Vieira; BORBA, Rute Elizabete de Souza. O uso da calculadora nos anos iniciais do ensino fundamental/ Ana Coelho Vieira Selva, Rute Elizabete de Souza Borba. Belo Horizonte: Autêntica editora, 2010. (Tendências em Educação Matemática, 21).

Para saber mais

http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/setembro2012/matematica_artigos/dissertacao_rubio.pdf.

http://www.sbem.com.br/files/viii/pdf/06/CC61508500487.pdf.

http://www.sbem.com.br/enem2016/anais/pdf/5517_3355_ID.pdf.

http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/371-4.pdf.

https://mathema.com.br/artigos/usar-ou-nao-a-calculadora-em-sala-de-aula/.