sexta-feira, 19 de junho de 2020

Competência e Habilidade

Na última semana a nossa conversa foi a segunda de uma série de uma série de 4 conversas sobre Tecnologia, Tecnologia Digital e Tecnologia Educacional, Tecnologia e a BNCC, Competência e Habilidade e Avaliando Competência e Habilidade com recursos tecnológicos, inclusive online.

A conversa dessa semana é sobre Competência e Habilidade.

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Competência e Habilidade

Segundo o dicionário Houaiss uma das definições de competência é “conjunto de conhecimentos ou habilidades, aptidão” e competente é “aquele que tem competência, adequado, conveniente”.

Já habilidade é definida como “aptidão para fazer algo bem” habilidoso é “aquele que resolve situações de maneira apropriado, que é jeitoso, astuto e esperto”.

A definição de competência adotada pela BNCC é “a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”.

Apesar de os conceitos de competência e habilidade não ser uma unanimidade, pode-se sintetizar que competência é o aluno “saber saber e saber conhecer” e habilidade é o aluno “saber fazer”.

 

Trabalhando por Competência e Habilidade

Apesar do currículo por competência e habilidade não ser nenhuma novidade, ele tem ganhando força nos últimos anos por diversos motivos:

  • Era da Tecnologia e Informação: Vivemos na era da história da humanidade que mais se produz conteúdo e informação e é claro o consumo dos mesmos não fica atrás. Essa produção e consumo só é possível graças a expansão da internet e equipamentos tecnológicos;
  • Agir e fazer: As ações e resultados ganharam espaço nesse mundo acelerado e moderno. São apontados como a chave do sucesso;
  • Mercado de trabalho: o mercado está buscando profissionais que saibam fazer, planejar e resolver problemas e conflitos. Assim, a escola ganhou a missão de produzir profissionais competentes e conscientes;
  • Avaliações externas: As avaliações externas, para indicarem desempenho de alunos e escolas, são norteadas por matrizes de referência com competências e habilidades.

Trabalhando nesta perspectiva, as escolas estariam formando cidadãos críticos, conscientes, reflexivos e que saibam resolver problemas reais e também preparando os alunos para ter um bom desempenho nestas avaliações.

As Competências Gerais bem como as de cada área de conhecimento e as habilidades de cada componente curricular devem fazer parte de todos os planos de ensino de todos os anos e séries dos ensinos fundamental e médio (a BNCC dessa etapa entra em vigor em 2021) para que as mesmas sejam desenvolvidas natural e gradativamente pelos discentes ao longo de seu percurso escolar.

Frente a essa nova exigência, educadores devem refletir constantemente se sua prática, metodologias e recursos adotados em suas aulas favorecem o desenvolvimento das competências desejadas.

 

 
 
  • As estratégias adotadas contribuem para resolução de problemas reais e desenvolvem a autonomia dos alunos?
  • Os problemas propostos estão relacionados às habilidades ou somente à repetição de algoritmos?

Nós professores atuantes hoje, em sua maioria, fomos formados numa escola (seja na educação básica seja na graduação) baseada em conteúdo, de forma que é natural que fiquemos perdidos, inseguros e sem saber se estamos trabalhando somente o conteúdo sem desenvolver as competências.

Julio Furtado elenca alguns paradigmas que precisam ser quebrados e evitados para que efetivamente as competências sejam desenvolvidas:

  • Conteúdo apresentado de forma sistematizada;
  • Vencer, custe o que custar, todo o conteúdo;
  • Desvalorizar o erro;
  • Linearidade da apresentação dos conteúdos;
  • Valorização da memorização;
  • Avaliação “emboscada” e uma única forma de avaliar.

A escola pode fugir dessas “armadilhas conteudistas” revendo suas ações metodológicas, inserindo recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem e entendendo que as habilidades são desenvolvidas das menos complexas para as mais complexas.

A figura a seguir relaciona ações à habilidades de acordo com o grau de complexidade.

Fonte: Fundação Telefônica.

Considerações Gerais

Alguns pontos precisam estar bem claros para que se passe a ensinar na perspectiva de desenvolver competências:

  • Competência é diferente de desempenho: Apesar de ser um indicador de competência, um desempenho aquém do esperado necessariamente não significado incompetência pois há vários fatores físicos e psicológicos que interferem no desempenho;
  • As competências elencadas pela BNCC só serão atingidas plenamente quando as habilidades forem desenvolvidas a cada ano e em todos os anos por todos os componentes curriculares;
  • Trabalhar conteúdo não é sinônimo de desenvolver competência;
  • A resolução de problemas é uma estratégia metodológica caracterizada por problemas que estimulem o pensamento e o raciocínio lógico dedutivo. A proposta é que os alunos movam todos os conhecimentos adquiridos anteriormente para solucionar o problema;
  • Ao executar uma estratégia para resolver um problema, o aluno evoca saberes e habilidades e é nessa fase que o conteúdo ganha significado pois não é possível competência sem conteúdo;
  • Projeto envolvendo vários componentes curriculares é uma excelente forma de mostra a integração das áreas, além é claro de mover saberes, conhecimentos, atitudes da forma que acontecem no mundo real. Assim, os alunos verão que os conhecimentos não são compartimentos disjuntos;
  • Ao invés de sistematizar tudo, o professor pode pedir ao aluno sistematize o conteúdo utilizando esquemas, mapas mentais, linha do tempo, infográficos e resumos. E isso pode ser feito utilizando recursos tecnológicos diversos.
  • As avaliações devem ser elaboradas para avaliar as habilidades dos alunos de forma objetiva e transparente, sendo avaliada uma única habilidade por questão;
  • Aplicar provas de vestibulares e Enem não contribui para desenvolver competências: as mesmas são desenvolvidas processualmente e não são treinadas através de provas.

Para saber mais:

O site https://www.competenciasnabncc.org.br/ tem uma excelente ferramenta que combina as competências gerais com os componentes curriculares e suas habilidades. Permite navegar por todas as competências, habilidades e componentes. É ideal para o iniciante que precisa entender como funciona a estrutura da BNCC e também para o coordenador que está elaborando o currículo pois garante que nada fique de fora.

Precisa de conteúdos e atividades de acordo com a BNCC? Na Plataforma Seneca você tem diversas tarefas para passar para seus alunos.

https://www.somospar.com.br/competencias-e-habilidades/

https://educacaointegral.org.br/reportagens/bncc-voce-sabe-diferenca-entre-competencias-e-habilidades/

 

Referências

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em 29 Maio de 2020.

 

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Jogos na Educação


Os jogos e brincadeiras fazem parte da vida de crianças, adultos, instituições como clubes, escolas e empresas. Além de divertir e entreter, os jogos estimulam a curiosidade, a percepção, a concentração, a atenção e o cumprimento de regras. Também desenvolvem o raciocínio lógico, a criatividade, a capacidade de resolver problemas e a interação social.

O jogo é um excelente recurso para o processo de ensino/aprendizagem e pode ser utilizado em diversas situações como na introdução, fixação ou aprofundamento de conteúdos diversos.

O potencial dos jogos na educação é tão grande e diversificado que a Gamificação (uso de recursos de jogos em outros contextos) é uma das metodologias mais utilizadas das chamadas Metodologias Ativas.

Na Matemática, um dos principais motivos apontados para o uso dos jogos é a diminuição do bloqueio e do temor desta disciplina. É fato que os jogadores se soltam mais no jogo, perdem o medo de errar, sentem-se empolgados e gradativamente sente-se seguros e autoconfiantes com esta metodologia.

É claro que o papel do pedagogo e professor ao adotarem esta metodologia é fundamental para o sucesso dela. Cabe a eles escolher com muito cuidado e critério os jogos utilizados. Segundo Camila Lima Azevedo, deve-se:

  • Escolher jogos em que o fator sorte não interfira nas jogadas, permitindo que vença aquele que descobrir as melhores estratégias;
  • Não tornar o jogo algo obrigatório;
  • Utilizar atividades que envolvam dois ou mais alunos, para oportunizar a interação social;
  • Estabelecer regras, que podem ou não ser modificadas no decorrer de uma rodada;
  • Estudar o jogo antes de aplicá-lo (o que só é possível, jogando);
  • Trabalhar a frustração pela derrota na criança, no sentido de minimizá-la;

Considerações

Não existe jogo certo ou errado e sim adequado aos objetivos pedagógicos definidos previamente pelo professor e ao perfil da turma. Se julgar necessário, o professor pode (e deve) criar seus próprios jogos.

Muitos dos jogos existentes não foram criados originalmente para serem jogados com o objetivo didático, contudo ainda podem ser utilizados em sala de aula. Cabe ao professor fazer adaptações e intervir quando preciso fazendo a transposição didática.

Como exemplo cito a Torre de Hanói que é um quebra cabeça que muitos professores utilizam para trabalhar potência. Outro exemplo é o jogo de trilhas em que é preciso lançar dado(s) para movimentar. Neste caso, o professor pode solicitar aos alunos para calcular a probabilidade deles tirarem um valor favorável para cair em uma casinha boa.

Há um leque enorme de tipos de jogos: estratégia, geométrico, palavras, lógica, Quiz, paciência, quebra cabeça, trivia, de tabuleiros, online, etc.

 

Dicas e Sugestões

Eu particularmente gosto muito de jogos e por este motivo leio muito a respeito seja artigos científicos, monografias, TCC e também livros de diversos autores.

No meu smartphone tenho os seguintes jogos: UNO, Palavras Conectadas, 2048, Palavras Cruzadas, Sudoku e Tetris.

Online, indico os sites Racha Cuca, Escola Games, Jogos 360 e HVirtua.

É claro que não abriria mão do bom e velho livro físico. As indicações são de livros que eu já li e uso muito para tirar desafios e problemas para meus alunos:

  • Desafios e Enigmas (Juliano Niederauer e Marla Fernanda): O objetivo do livro é desenvolver o raciocínio do leitor e para isto apresenta diversos desafios, testes, charadas e enigmas. Excelente para quem quer aprimorar a interpretação e resolução de problemas;
  • Esporte para o Cérebro (Charles Phillips): Composto de 100 desafios para estimular o raciocínio, este livro aborda os problemas com quebra cabeças relacionados a esportes. Com certeza é muito diferente de tudo que você já viu e muito instigante também;
  • Incríveis Passatempos Matemáticos (Ian Stewart): O livro traz uma série de passatempos, histórias e desafios para o leitor. Tem também teoremas, pérolas matemática entre outros;
  • Matemática Divertida e Curiosa (Malba Tahan): Este livro é do mesmo autor do famoso Homem que Calculava. Apesar de menos conhecido, é um excelente livro que reúne recreações e curiosidades matemáticas de uma forma bem lúdica, acabando com o mito de que matemática e diversão não andam juntas.

 Quer saber mais?

Gamificação

Importânciados jogos

Para você:

Criar seus próprios Quiz: Kahoot!, Socrative.

Criar cruzadinhas: Herokuapp, Vogais.com.

Jogar online: Coquetel, Torre de Hanói, Racha Cuca.


Tem alguma crítica, sugestão de tema ou questões e exercícios para serem resolvidos? Envie um e-mail para: matematicanapontadolapis2020@gmail.com

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