quarta-feira, 29 de abril de 2020

Cartão de crédito: um vilão que cabe no seu bolso



Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/cart%C3%A3o-de-cr%C3%A9dito-dinheiro-1583534/. Acesso em 24 Abr. 2020.
O cartão crédito é um companheiro de milhões de pessoas e com certeza é muito útil em diversas situações, porém devemos tomar cuidado com esse amigo quase que inseparável. O problema não é o cartão de crédito em si mas as altas taxas de juros praticadas pelas operadoras e o financiamento no crédito rotativo. Segundo a Pesquisa de Endivididamento e do Consumidor (Peic) realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços e Turismo mais de 66% das famílias brasileiras estão endividadas e destas mais de 78% têm dívidas no cartão de crédito.
Para piorar este cenário, os juros praticados pelas operadoras são os mais altos do mercado batendo a casa dos 400% ao ano. Você não leu errado: é isso mesmo 400% ao ano. Segundo o Ipead – UFMG, em Belo Horizonte,  a taxa mais alta praticada em março de 2020 é de 13,72% ao mês, o que é superior a 467% ao ano seguindo tendência de alta ao contrário da taxa Selic que está numa trajetória de baixa chegando ao 3,75% ao ano, um recorde histórico.
Isto significa que quem deve R$ 1 000,00 no cartão hoje e não efetua nenhuma compra e nenhum pagamento em 1 ano estará devendo R$ 4 677,80 e em 2 anos R$ 21 881,87. Assustador não? É o chamado juros sob juros ou  juros compostos.
Esta situação não é de hoje, tanto que o governo brasileiro já mudou a legislação diversas vezes tentando amenizar a situação. Vejamos a seguir um pouco desta história.
É comum as pessoas pagarem somente o valor mínimo no cartão que até maio de 2011 era de 10%. Com uma taxa de juros no crédito rotativo sempre acima deste percentual, a dívida nunca era quitada, ao contrário virava uma bola de neve. Vamos supor que uma pessoa que deve R$ 1 000,00 pagará somente os 10% e que a taxa de juros será sempre 13,72%. Após o 1º pagamento, a dívida é de R$ 1 023,48 ou seja a dívida aumentou 2,3%. Em 12 meses, seriam pagos R$ 1 267,76 e a dívida seria de R$ 1 321,15,
Em junho de 2011, o Banco Central muda o pagamento mínimo para 15% e em dezembro de 2011 para 20%, porém a mudança de 20% foi revogada (será por que?). Com essa mudança, a dívida após 12 meses, da nossa situação exemplo, passa a ser de R$ 665,38 e o valor pago R$ 1 503,69. Há uma melhora significativa na situação, porém o cenário do endividamento não muda tanto quanto o esperado, o que obriga o Banco Central a mudar as regras novamente.
A partir de abril de 2017, as operadoras só podem oferecer o pagamento mínimo por 1 mês e partir daí o cliente pode pagar a dívida integralmente ou financiar a dívida com taxa de juros inferior ao que é praticado no crédito rotativo. Segundo o IPEAD, em março de 2020 a taxa mais alta praticada em Belo Horizonte para esse financiamento é de 8,78% ao mês, ainda salgada mas bem abaixo da taxa  cobrada no rotativo. Em nosso exemplo, a dívida seria integralmente  paga em 12 prestações de R$ 138,11.
Porém existem outras alternativas de financiamento como por exemplo fazer um empréstimo em um banco e quitar o cartão. Duas opções com juros bem mais baixos são o empréstimo comum ou o empréstimo consignado. As taxas de juros mais altas praticadas em Belo Horizonte são respectivamente 5,45% e 2,62% ao mês. Nesses  dois casos as prestações de um empréstimo de R$ 1 000,00 em 12 prestações seriam respectivamente R$ 115,71 e R$ 98,20. Assim, uma dívida que era impagável pode ser paga com juros bem menores. Mas não se iluda: pagar juros é sempre um mal negócio.
Se está numa situação parecida ou conhece alguém nesta situação, a dica é procurar o gerente do seu banco e negociar um empréstimo. Se tiver um relacionamento bancário há mais tempo, é possível negociar uma taxa de juros menor.
Fica a dica: use o cartão de crédito somente quando for indispensável ou então somente se tiver condições de pagar integralmente o valor da fatura. Do contrário, viu o tamanho da dor de cabeça que pode conseguir.
A metodologia de cálculo da prestação de financiamentos e empréstimos será tema de uma conversa futura.
Até a próxima semana!!!
Referências:

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A importância da linguagem nas aulas de matemática



No último semestre da minha graduação, uma das professoras que foi referência para mim durante todo o curso, disse uma frase que só fui entender após alguns anos, apesar de já lecionar há desde o primeiro período: “Ensinarão melhor quando ouvir mais seus alunos”.
Confesso que fiquei intrigado no momento que ela falou e sua fala gerou uma discussão entre nós alunos, mas só fui realmente entender alguns anos depois.
Um fator importante na aulas de todos os componentes curriculares, inclusive nas de matemática, é a comunicação e a linguagem utilizada para efetivá-la. Muitas vezes a linguagem adotada por professores pode contribuir para dificultar o entendimento e a compreensão de diversos assuntos. A seguir, ilustrarei alguns exemplos reais que vivenciei no meu percurso relacionados à situações em que a linguagem de fato comprometeu o aprendizado.
Exemplo 1: Recentemente, uma colega professora me procurou para ajudá-la em uma situação com um dos seus alunos do 3º ano que, segundo ela sabia somar corretamente e de uma hora para outra estava errando as adições. Pedi a ela que trouxesse uma dessas adições correta e outra errada para eu analisar. As operações que estavam corretas eram adições sem reagrupamento ou reserva e as que estavam incorretas eram com reagrupamento. Uma das operações erradas é representada a seguir:
             3       

     45
+   17     .
      89


Ao analisar a operação percebi o que estava errado e como o aluno pensou para operar desta maneira. Orientei minha colega a pedir ao aluno que descrevesse como ele tinha feito a conta. A explicação do aluno foi: “ tia, você disse que na casinha das unidades só cabe até 9, o que passar disso “sobe”. Então subi os 3 que passou.”.
Exemplo 2: Era professor dos 9º anos e o irmão de um dos meus alunos me pediu ajuda para resolver uma equação do 1º grau cuja resposta que ele tinha encontrado não era a mesma dada pelo livro. 
Eis a equação e a resolução do aluno: 
– 2X – 4 = 10   – 2X = 10 + 4      X = 14 + 2     X = 16.
 Perguntei a ele por que fez assim e ele respondeu: “ meu professor ensinou que se o número muda de lado muda o sinal.”
Exemplo 3: Às vezes o erro é induzido, sem querer, pela linguagem escrita e não pelo linguagem falada. Uma colega, certa vez, me pediu ajuda pois um número significativo de alunos de uma de suas turmas de 6º ano estava com dificuldades em potenciação. Ela me mostrou alguns cadernos e eles resolviam assim: 52 = 10,43 = 12. Percebi na hora que eles estavam multiplicando a base pelo expoente, mas por que? Uma olhada rápida no caderno dos alunos notei que ao introduzir este conceito o primeiro exemplo dado pela professora foi:  22 = 4
Exemplo 4: Eu estava dando aula de equações do 2º grau para uma turma de 1ª série e passei vários exercícios para os alunos resolverem na aula. Um dos exercícios era mais ou menos assim: “ determine a soma e o produto das raízes da equação....”. Um dos alunos levanta a mão e diz: “ Fábio, o exercício tal está errado.” Leio o exercício com todo cuidado e respondo que não está. Ele me responde: “ Está sim: se não existe raízes, como podemos soma-las ou multiplica-las?” Repassei em minha mente todas as minhas aulas sobre o assunto e percebi que não tinha sequer comentado sobre o conjunto dos números complexos e que no caso do discriminante negativo (o famoso delta) não existem raízes reais mas sim complexas.
Os exemplos não param por aí, contudo acredito que já é possível perceber a importância da linguagem no processo de ensino e aprendizagem. Uma sugestão é que nós professores devemos ouvir com mais atenção e frequência nossos alunos. Um simples “ por que fez assim”, “ o que pensou ao resolver esse exercício” ou “ explique o que você entendeu” nos ajudaria a entender como o aluno capta nossas mensagens. E isto pode ser feito também por escrito, inclusive nos chats privados das salas de aula virtuais.
Uma ação que tenho em minhas aulas é assumir o papel do aluno na resolução de exercícios: o aluno fala e eu vou executando os passos citados por ele para que ele possa “ver” o que está falando.
E então professores: já vivenciaram situações parecidas? Compartilhem conosco nos comentários e vamos trocar experiências.


terça-feira, 21 de abril de 2020

Apresentação


Infelizmente a matemática ainda é vista por muitos como um bicho de sete cabeças, como algo sem importância e conexão com mundo ou ainda uma matéria que querem evitar num curso superior.
O domínio da matemática tem deixado muito a desejar no Brasil, com índices baixíssimos de proficiência seja nas avaliações mundiais ou nacionais como no PISA, Ideb e Enem.
Mas será que o ensino e aprendizagem de matemática está fadado ao insucesso ou ainda é possível mudar este cenário sombrio?
Com o objetivo de provocar e propiciar discussões acerca da Matemática, educação matemática, tecnologia educacional, avaliação, metodologias ativas, currículo e olimpíada de matemática e raciocínio lógico, é que este blog foi criado.
Vamos pesquisar, conversar, discutir, trocar experiências e conhecimento, contextualizar, tirar dúvidas, resolver exercícios e questões, propor caminhos a trilhar sobre o universo matemático e suas aplicações em outras áreas do conhecimento.
Sejam bem vindos....