quinta-feira, 23 de julho de 2020

Ensino Híbrido: Possibilidades e desafios


Disponível em: https://pixabay.com/pt/illustrations/escola-volta-%C3%A0s-aulas-conselho-1517196/. Acesso em 22 Jul 2020.

 Em 7 de julho de 2020 o Conselho Nacional da Educação, CNE, divulgou o parecer CNE/CPnº 11/2020 que apresenta orientações para a realização de aulas e atividades pedagógicos presenciais e não presenciais no contexto da pandemia.

Esse parecer tem muito em comum com as Diretrizes para protocolo de retorno às aulas presenciais divulgadas pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação, CONSED, em junho de 2020.

O que é interessante notar nesses dois documentos é que nenhum deles fala em quando voltar e sim como voltar. Além disso, ambos falam na adoção do Ensino Híbrido.

Mas afinal, o que é esse ensino híbrido que tem ganhado corpo e força nas atuais discussões sobre o retorno às aulas pós pandemia e que segundo especialistas veio para ficar?

 Híbrido

O dicionário Michaellis Online traz as seguintes definições para híbrido:

  •  Indivíduo que resulta do cruzamento de espécies, raças ou variedades diferentes;
  •  Animal ou planta resultante do cruzamento de espécies distintas;
  •  Palavra composta de elementos provenientes de línguas diversas;
  •  O que é composto de elementos distintos ou disparatados.

O interessante é que algo híbrido já está presente em nosso cotidiano e que muitas vezes não nos damos conta disso. São exemplos de híbridos:

  • Animais: Mula, zebralo;
  • Palavras: Televisão, bafômetro, embora;
  • Plantas: Azaléa, orquídeas.

Mas o que as pessoas mais lembram de híbrido é algo que tenha tecnologia digital como os carros híbridos (movidos à combustão e eletricidade) e os computadores híbridos (notebook e tablet).

Se você não tinha ouvido falar ainda em híbrido até agora, imagino que à essa altura dessa conversa você já tenha alguma ideia sobre o tal Ensino Híbrido, não é mesmo?

 Ensino Híbrido

De uma forma bem simples de conceituar, o ensino híbrido é uma forma de ensinar que utiliza de maneira combinada atividades presenciais e não presenciais. Alguns o definem também como atividades Online e Offline. As atividades não presenciais são mediadas por meio das TDICs, contudo o uso das mesmas não devem ser descartado nas atividades presenciais.

O professor, ao pensar nas atividades que irá propor nesse tipo de ensino, deve levar em conta o ambiente onde as mesmas serão realizadas e a partir daí escolher quais as metodologias e recursos são os mais adequados. Também deve considerar que o foco é no processo de aprendizagem do aluno e não na mera transmissão de conhecimento, tão tradicional no ensino presencial.

Há uma quebra de paradigmas nos papéis desempenhados pelo professor e aluno assim como no conceito de sala de aula.

Segundo Valente (2015) o aluno é responsável pela sua aprendizagem uma vez que “assume uma postura mais participativa, resolvendo problemas, desenvolvendo projetos e, com isso, criando a oportunidade para a construção de seu conhecimento” e o professor é “o mediador, consultor do aprendiz” e a sala de aula é “o local onde o aprendiz tem a presença do professor e dos colegas na resolução das tarefas”.

Fonte: Unisociesc. Disponível em: https://www.unisociesc.com.br/4-0/bg-infografico-40-mobile/#. Acesso em 22 Jul 2020.

 

Um exemplo de metodologia que pode ser adotada no ensino híbrido é a Sala de Aula Invertida. Nessa metodologia, o aluno tem contato com informações conceituais antes da aula. Já na aula, juntamente com seus colegas, discute os conhecimentos adquiridos previamente e em caso de dúvidas ou intervenção para correção ou direcionamento contam com o suporte do professor.

 

Considerações Gerais

Mesmo sendo considerado por muitos como um modismo, o Ensino Híbrido veio para ficar e pandemia só acelerou o processo de discussão e implementação do mesmo pelas redes educacionais. Isso porque enquanto não houver vacina disponível, o ensino presencial do jeito que conhecemos hoje não será mais o mesmo.

Os primeiros artigos publicados sobre essa modalidade de ensino são do início dos anos 2000 e relatam os resultados positivos obtidos na avaliações de desempenho de alunos que participaram dessa abordagem de ensino.

Ao implementar o Ensino Híbrido, as escolas devem ficar atentas para que o mesmo não caia na banalização e seja adotado como mera transmissão de conhecimento via Online.

Apesar de o Ensino Híbrido ser centrado no aluno, o professor tem papel fundamental na implementação e manutenção do mesmo. Assim, as redes educacionais devem fazer um investimento maciço na formação de professores para utilizarem as TDICs e novas metodologias de ensino assim como adquirir equipamentos e recursos necessários.

E é claro que se mudanças e adequações foram feitas no  de processo ensino e aprendizagem e também introduzidas novas metodologias e recursos, o processo de avaliação também deve sofrer mudanças e adequações para que esteja em consonância com o novo cenário.

Há diversas metodologias de ensino e aprendizagem que podem ser adotadas no Ensino Híbrido. As Metodologias Ativas são excelentes opções e serão abordadas na nossa próxima conversa.

Também será necessário quebrar a resistência de professores, alunos e famílias que acham que o Ensino Híbrido é só mais um modismo que veio baratear custos e precarizar as relações trabalhistas entre escolas e professores.

 

Para saber mais:

O assunto de tecnologia ainda não é a sua praia? Então leia as conversas a seguir.

Kit de sobrevivência digital

Google Classroom: uma excelente opção para sala de aula virtual

Tecnologia, Tecnologia Digital e Tecnologia Educacional

Avaliando Competência e Habilidade e Avaliação Online


Os livros a seguir são leitura obrigatória para quem quer ficar por dentro do tema:






 


 

 

 

 

 

2 comentários:

  1. Olá dos livros indicados qual o mais relevante na sua opinião?

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    1. Olá. Obrigado pelo acesso e leitura do blog.
      Como o tema dessa conversa é Ensino Híbrido considero que o livro Ensino Híbrido - Personalização e tecnologia na educação seja a leitura mais indicada sobre o tema. Os outros são também leituras importantes mas estão ligadas mais a Metodologia Ativas, que é o tema da próxima conversa. Ambos os temas são interligados e pode-se dizer que não há ensino híbrido sem metodologia ativa.

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