terça-feira, 18 de agosto de 2020

Design Thinking e Ensino por Investigação

 

 

Disponível em: https://www.daexe.com.br/2019/11/23/o-que-e-design-thinking-e-como-aplicar/. Acesso em 16 Ago 2020.

 A conversa anterior abordou o conceito de Aprendizagem Baseada em Problemas e Aprendizagem Baseada em Projetos. A conversa de hoje será sobre Design Thinking e Ensino por Investigação.

Não quer ficar de fora e perder nenhuma dessas conversas? Basta nos seguir no blog ou no Facebook.

 

Design Thinking

Apesar de muitos chamarem o Design Thinking de metodologia os especialistas da área discordam e o conceituam como uma “maneira de pensar”, uma abordagem. Segundo eles, metodologia passa uma ideia de passos ou fórmulas a serem seguidos e que são aplicados do mesmo modo em qualquer situação.

Essa abordagem busca solucionar um problema de forma colaborativa e coletiva. Uma tradução ao pé da letra do termo Design Thinking é “ pensamento do designer”.

Tim Brown, CEO da empresa americana Ideo, foi o responsável pela popularização do termo Design Thinking. Segundo ele todos deveriam pensar como designers pois assim atingiriam um nível de inovação radical. Mas como pensa um designer?

O designer deve estudar o cenário geral, fazer protótipos, testar, propor alternativas e implementar as soluções. A equipe multidisciplinar envolvida nessa abordagem faz uma imersão com o objetivo de ter uma visão mais completa da solução do problema apresentado, identificando empecilhos e propondo alternativas viáveis para transpô-los.

 

Design Thinking na educação

De uma maneira simples o Design Thinking na educação nada mais é do que estimular, incentivar, promover a cultura do pensamento crítico e criativo cujo foco é a busca colaborativa e empática pela solução de um problema.

A cultura do pensamento possibilita o desenvolvimento do conhecimento, da cooperação, do senso de coletividade, da comunicação, do protagonismo e do pensamento crítico e criativo.

Não há maneira certa de implementar o Design Thinking e sim etapas, conforme figura a seguir:

 

Disponível em: https://evolvemvp.com/o-que-e-design-thinking-conceito-e-metodologia/. Acesso em 16 Ago 2020.

Assista o iídeo sobre as  etapas do Design Thinking:  https://www.youtube.com/watch?v=_r0VX-aU_T8&t=33s

  Todo processo tem vantagens e desvantagens e com o Design Thinking não é diferente. A seguir estão elencadas algumas:

Vantagens

É uma abordagem prática e funcional;

Tirar os envolvidos da zona de conforto;

A dinâmica diferente e significativa motiva o engajamento do aluno com o conhecimento;

A pesquisa passa a estar presente na sala de aula, quebrando o paradigma do aluno repetidor de conteúdo;

Valoriza a inovação e o pensar “fora da caixa”;

Os alunos são os protagonistas no processo.

Desvantagens

Dificuldade de implementação devido à falta de exemplo aplicado à educação;

Dificuldade em avaliar uma vez que o processo é muito aberto;

Alunos introvertidos ou individualistas não se adaptam bem;

A abordagem tem que passar a fazer parte da cultura da escola, sendo necessário investimento financeiro e de tempo para formação.

 

Ensino por Investigação

Não é novidade para ninguém que um dos fatores determinantes para a aprendizagem é a motivação e ela vem de dentro para fora: é o chamado fator endógeno. Cabe a escola e ao professor proporcionar um ambiente cujos metodologia, recursos e interações motivem os alunos a aprender.

O Ensino por Investigação é um caminho a ser trilhado nessa perspectiva, pois permiti que o aluno seja o protagonista durante todo o processo de aprendizagem a partir de uma situação-problema.

A ideia de utilizar o Ensino por Investigação como metodologia foi de John Dewey no início do século XX. Para ele, a ciência se forma como método de observação, reflexão e verificação, o que permite questionar e debater as verdades vigentes.

Ele defende que as principais etapas do método científico são a indução, a dedução, a lógica matemática e o empirismo e consiste em:

  • Definir um problema;
  • Sugerir uma sugestão;
  • Desenvolver e aplicar um teste experimental;
  • Formular uma conclusão.

Curiosamente as ideias de Dewey não foram adotadas pelo sistema educacional dos EUA pois fazia frente ao modelo de economia americano.

Somente a partir de meados do século XX suas ideias ganham força junto com as proposições do educador Joseph Schwab que afirmava que ciência é formada por estruturar conceituais e procedimentais e que é importante que os alunos entendam a natureza da investigação científica como uma atividade dinâmica e contínua.

Azevedo (2004) destaca que “utilizar atividades investigativas como ponto de partida para desenvolver a compreensão de conceitos é uma forma de levar o aluno a participar de seu processo de aprendizagem, sair de uma postura passiva e começar a perceber e agir sobre o seu objeto de estudo, relacionando o objeto com acontecimentos e buscando as causas dessa relação, procurando, portanto, uma explicação causal para o resultado de suas ações e/ou interações”.

Carvalho (2014) propõe 4 possibilidades para trabalhar com o Ensino por Investigação: Demonstração Investigativa, Laboratório Aberto, Questão Aberta e Problema Aberto. Na figura a seguir, essas abordagens estão esquematizadas.

 

Essa metodologia tem ganhado espaço nas escolas públicas e privadas de ensino básico através de feiras de ciências e conhecimento. As feiras são excelentes espaços para a divulgação científica, apesar de não serem as únicas formas.

Pereira (2000) entende que os objetivos das feiras de ciências vão muito mais além da “formação de pequenos cientistas” e de uma simples apresentação. Para ele, os objetivos são:

  • Incentivar a atividade científica;
  • Favorecer a realização de ações interdisciplinares;
  • Estimular o planejamento e execução de projetos;
  • Estimular o aluno na busca e conclusão a partir de resultados obtidos por experimentação;
  • Desenvolver a capacidade do aluno na elaboração de critérios para a compreensão de fenômenos ou fatos cotidianos, empíricos ou científicos;
  • Proporcionar ao aluno expositor uma experiência significativa no campo sócio-científico de difusão do conhecimento.

Mesmo que a ideia de uma escola não seja realizar uma feira “tradicional” com stands e barriquinhas de apresentação é possível adotar o Ensino por Investigação.

O Ensino por Investigação aproxima os conhecimentos científicos dos conhecimentos escolares quebrando com a ideia de um currículo separado e estruturado por componente curricular, cada um na sua “caixinha”. Permite ao aluno uma liberdade intelectual.

De uma forma ampla, o Ensino por Investigação leva os alunos a ter uma compreensão da importância da comunidade científica e como se dá o processo de construção do conhecimento científico.

 

Para saber mais:

https://endeavor.org.br/tecnologia/design-thinking-inovacao/

https://m.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/artigosInovacao/entenda-o-design-thinking,369d9cb730905410VgnVCM1000003b74010aRCRD

Observatório CER:Design Thinking na educação

https://evolvemvp.com/o-que-e-design-thinking-conceito-e-metodologia/

https://www.geekie.com.br/blog/design-thinking-na-educacao-para-tornar-o-pensamento-visivel/

https://escolasdisruptivas.com.br/escolas-do-seculo-xxi/design-thinking-na-educacao/

https://novaescola.org.br/conteudo/12457/design-thinking-o-que-e-e-como-usar-em-sala-de-aula

https://www.dtparaeducadores.org.br/site/

O uso do ensino por investigação como ferramenta didático-pedagógica no ensino de física.

Sequência de ensino por investigação: uma proposta para o processo de alfabetização.

Ensino por investigação: Concepções dos alunos de licenciatura acerca da importância de atividades em espaços não formais.

5 dicas para utilizar o ensino por investigação.

Espaço Ciência Viva.

 Os livros a seguir são leitura obrigatória para quem quer saber mais sobre Design Thinking e Ensino por investigação.





O livro Educação científica e cidadania está disponível para download gratuito.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário