Fonte:
Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/cart%C3%A3o-de-cr%C3%A9dito-dinheiro-1583534/. Acesso em 24 Abr. 2020.
O cartão crédito é um companheiro de milhões de pessoas
e com certeza é muito útil em diversas situações, porém devemos tomar cuidado
com esse amigo quase que inseparável. O problema não é o cartão de crédito em
si mas as altas taxas de juros praticadas pelas operadoras e o financiamento no
crédito rotativo. Segundo a Pesquisa de Endivididamento e do Consumidor (Peic)
realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços e Turismo
mais de 66% das famílias brasileiras estão endividadas e destas mais de 78% têm
dívidas no cartão de crédito.
Para piorar este cenário, os juros praticados pelas
operadoras são os mais altos do mercado batendo a casa dos 400% ao ano. Você
não leu errado: é isso mesmo 400% ao ano. Segundo o Ipead – UFMG, em Belo
Horizonte, a taxa mais alta praticada em
março de 2020 é de 13,72% ao mês, o que é superior a 467% ao ano seguindo
tendência de alta ao contrário da taxa Selic que está numa trajetória de baixa
chegando ao 3,75% ao ano, um recorde histórico.
Isto significa que quem deve R$ 1 000,00 no
cartão hoje e não efetua nenhuma compra e nenhum pagamento em 1 ano estará devendo
R$ 4 677,80 e em 2 anos R$ 21 881,87. Assustador não? É o
chamado juros sob juros ou juros compostos.
Esta situação não é de hoje, tanto que o governo brasileiro
já mudou a legislação diversas vezes tentando amenizar a situação. Vejamos a
seguir um pouco desta história.
É comum as pessoas pagarem somente o valor mínimo no
cartão que até maio de 2011 era de 10%. Com uma taxa de juros no crédito
rotativo sempre acima deste percentual, a dívida nunca era quitada, ao
contrário virava uma bola de neve. Vamos supor que uma pessoa que deve
R$ 1 000,00 pagará somente os 10% e que a taxa de juros será sempre 13,72%.
Após o 1º pagamento, a dívida é de R$ 1 023,48 ou seja a dívida
aumentou 2,3%. Em 12 meses, seriam pagos R$ 1 267,76 e a dívida seria
de R$ 1 321,15,
Em junho de 2011, o Banco Central muda o pagamento
mínimo para 15% e em dezembro de 2011 para 20%, porém a mudança de 20% foi
revogada (será por que?). Com essa mudança, a dívida após 12 meses, da nossa
situação exemplo, passa a ser de R$ 665,38 e o valor pago R$ 1 503,69.
Há uma melhora significativa na situação, porém o cenário do endividamento não
muda tanto quanto o esperado, o que obriga o Banco Central a mudar as regras
novamente.
A partir de abril de 2017, as operadoras só podem
oferecer o pagamento mínimo por 1 mês e partir daí o cliente pode pagar a
dívida integralmente ou financiar a dívida com taxa de juros inferior ao que é
praticado no crédito rotativo. Segundo o IPEAD, em março de 2020 a taxa mais
alta praticada em Belo Horizonte para esse financiamento é de 8,78% ao mês,
ainda salgada mas bem abaixo da taxa cobrada no rotativo. Em nosso exemplo, a dívida seria integralmente paga em 12 prestações de R$ 138,11.
Porém existem outras alternativas de financiamento como por exemplo
fazer um empréstimo em um banco e quitar o cartão. Duas opções com juros bem
mais baixos são o empréstimo comum ou o empréstimo consignado. As taxas de
juros mais altas praticadas em Belo Horizonte são respectivamente 5,45% e 2,62% ao mês. Nesses dois casos
as prestações de um empréstimo de R$ 1 000,00 em 12 prestações seriam
respectivamente R$ 115,71 e R$ 98,20. Assim, uma dívida que era impagável pode ser paga com juros bem menores. Mas não se iluda: pagar juros é sempre um mal negócio.
Se está numa situação parecida ou conhece alguém nesta
situação, a dica é procurar o gerente do seu banco e negociar um empréstimo. Se
tiver um relacionamento bancário há mais tempo, é possível negociar uma taxa de
juros menor.
Fica a dica: use o cartão de crédito somente quando for
indispensável ou então somente se tiver condições de pagar integralmente o
valor da fatura. Do contrário, viu o tamanho da dor de cabeça que pode
conseguir.
A metodologia de cálculo da prestação de financiamentos e empréstimos será tema de uma conversa futura.
Até a próxima semana!!!
Referências:
https://www.ipead.face.ufmg.br/site/publicacoes/taxasJuros. Acesso em 24 de Abr. 2020.
https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/03/30/endividamento-das-familias-e-recorde-em-marco-diz-cnc.htm. Acesso em 24 de Abr. 2020.

Nenhum comentário:
Postar um comentário